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18 de ago. de 2015

A Razão da desrazão do Vício


Muitas vezes quando cruzamos uma rua, um beco sombrio da cidade, avistamos pessoas, ou pelo menos o que resta de sua humanidade; agrupadas, maltrapilhas e na maioria das vezes com aspecto de sujas. Logo sabemos que se trata de usuários dependentes de drogas. Então, quase que de imediato nos vem à indagação no pensamento: Qual a razão de alguém conscientemente se desumanizar dessa maneira, deixar que o vício se torne a sua razão de existir? Um prazer fugaz que vai apagando o que já foi ou tentou ser um dia.
Esse é o ponto em que quero chegar, talvez, seja esta a questão, tornar-se animalizado, ignorando todas as regras da sociedade para se libertar daquilo que nunca fora. Transcender para um nada, como dizia Haideguer, um nada social, um desistente que tira o traje biomecânico e deixa só o animal inconsciente e alheio a todas as demandas e convenções da sociedade, vivendo apenas pelo intenso e passageiro prazer da droga.
http://www.obrasilcoms.com.br/2013/06/andarilho-por-cao-guimaraes/
Assim, como tudo que é humano deve ser dotado de alguma razão, esta aparente desrazão é que dá sentido a existência, como se esta auto exclusão o tivesse transformado num inumano, uma sombra andante, sem regras, sem convenções, um suicidado que vaga espiando a vida que desistiu de viver.
Quantos de nós já não fizemos isso por outros caminhos, com sutileza e com menos radicalidade?

Julio Ribeiro

9 de jul. de 2015

VLT no lugar do metrô em Porto Alegre

     Quando vim de Santigo com meus pais em 1980, cheguei à capital e tudo era novo, gigantesco e urbano.  A propósito, vim de trem e de cabine, foi meu presente de aniversário de 14 anos. E naquela época, Porto Alegre já acalentava o sonho de ter um metrô, talvez, como uma necessidade de status para integrar o grupo das grandes metrópoles mundiais. Mas o tempo passou, o trem que me trouxe deixou de circular, enquanto isso a população, a frota automotiva e a poluição aumentaram freneticamente. Contudo, a mobilidade urbana, conceito recorrente na última década, não conseguiu acompanhar o ritmo dos tempos.  Agora, voltamos ao debate do metrô da capital como a novo-velha solução para o grave problema da mobilidade e do risco de um colapso no nosso trânsito, como ocorre atualmente com grandes cidades do país.
     Os usuários do transporte coletivo sonham com um metrô, principalmente na hora do rush, um meio de transporte que respeita e dignifica o trabalhador e ainda atraia outros setores e camadas sociais que hoje não utilizam os ônibus, alegando falta de qualidade.
     Mas o caminho é longo, difícil e caro: “Muitos ficam maravilhados com o metrô de Paris, mas ele começou há 170 anos. Em dez anos, você não faz nada parecido”, pondera Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America.
   Por todas estas razões, penso que devemos buscar alternativas, novas soluções em outros modais e defendo como forma viável em lugar do metrô, a implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que é um pequeno trem urbano movido à eletricidade. Sua envergadura permite que sua estrutura de trilhos se encaixe harmonicamente nos centros urbanos modernos. O VLT é uma espécie de Metrô de Superfície. A trinta e cinco anos não imaginávamos que a boa e velha bicicleta poderia se transformar em uma alternativa de transporte para as grandes cidades, também é difícil acreditar que recém agora, estamos acordando para o potencial hidroviário que sempre esteve aqui ao nosso dispor. Saber que os mesmos trilhos dos trens de passageiros que ajudaram a desenvolver este estado ainda estão lá, subutilizados, apenas por poucos trens de carga. Só para não sair da região metropolitana, existe uma linha intacta, ou pior, criando mato, que vai de Porto Alegre a Nova Santa Rita, contornado Canoas, esta poderia muito bem ser utilizada como modal de transporte coletivo adequando vagões menos modernos do trensurb para trazer milhares de pessoas de Nova Santa Rita e dos bairros Mathias Velho e Harmonia, de Canoas para a capital. Por falar em Canoas, aqui estamos apostando no Aeromóvel que pode sim ser uma opção boa e barata para transportar com dignidade nossos cidadãos.
     Claro que um metrô novinho no subterrâneo da Avenida Farrapos seria maravilhoso, mas o custo elevado, em um contexto econômico difícil, onde os entes da união interessados e partícipes estão com problemas de contenção de despesas. Quando uma PPP “Parceria Pública Privada” é apontada como solução para o impasse, fica difícil de acreditar na viabilidade desta empreitada. Só para exemplificar, para cada passageiro de ônibus transportado, custa quatro vezes mais no VLT e vinte vezes mais no metrô. Com o valor dos mesmos onze quilômetros do projeto do metrô de Porto Alegre, se poderiam fazer cinquenta quilômetros de vias para o VLT, cidades como Montpellier (França), Rotterdam (Holanda), Houston (EUA), Porto (Portugal) e Londres (Inglaterra) só para dar alguns exemplos, utilizam com sucesso e muita modernidade o VLT como meio de transporte urbano para seus cidadãos e ainda enchem os olhos dos turistas que os visitam.
     Além do mais, o problema não para na obra e fim, o metrô é caro para fazer e mais caro ainda para manter, pois praticamente todos os metrôs do mundo são subsidiados, ou seja, o poder público tem que pagar um pouco de cada passagem se não fica muito caro e afugenta os usuários. Em Londres, cidade com uma das melhores redes, os especialistas estimam que a subvenção do governo esteja na casa dos bilhões ao ano, para garantir tarifas baixas e atratividade de passageiros. A PPP ou Parceria Pública Privada requer obviamente, dinheiro de investidores privados. Ora, não precisa nem ser capitalista para saber que o investimento privado pressupõe busca de lucro. Mas como buscar lucro em algo que desde o nascedouro se sabe que dá prejuízo e que o poder público que poderia arcar com a devolução com lucro do dinheiro privado, atualmente está com dificuldades de pagar até seus compromissos mais elementares.
     Minha contribuição é no sentido de apresentar uma reflexão para uma alternativa viável, moderna, limpa e financeiramente exequível para o transporte coletivo, da capital de todos os gaúchos.
Professor Julio Ribeiro
Sociólogo
Pós-Graduado em
Filosofia e Economia Política - PUCRS


VTL's pelo mundo


Cidade do Porto – Portugal

Montpellier (França)
Paris
Imagem: http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/2014/01/a-volta-dos-bondes-na-versao-vlt-como-alternativa-de-transporte/
Holanda

Strasbourg (França)
Imagem:
 http://qualidadeurbana.blogspot.com.br/2007/09/vlt-veiculo-leve-sobre-trilhos.html
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Metrô

Metro subterrâneo Madri
Imagem: http://www.institutoconstruir.org/



30 de jun. de 2015

Defendo os Trabalhadores, sou contra o projeto de terceirização!

   
 O trabalho humano é a principal fonte para agregar valor a um bem. E em momentos difíceis, também serve como possibilidade de manter o lucro do capital ou minimizar sua crise, espremendo mais ainda o seu basilar meio de acumulação, o trabalhador. Nesta lógica, mas sob o pretexto de regularizar a vida de 11 milhões de trabalhadores terceirizados o PL 4330 de autoria do deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), que legaliza a contratação de prestadoras de serviços para executarem atividades-fim nas empresas brasileiras. O problema é que seu efeito “destrutivo” é infinitamente maior que o “construtivo”. Pois, Consequentemente, torna nula a CLT e joga no lixo os direitos dos trabalhadores conquistados com sacrifício, suor, lagrimas e sangue ao longo de várias décadas.
    De acordo com o Dieese, em média um trabalhador terceirizado trabalha três horas a mais por semana e ganha 27% menos que um empregado direto e 4 em cada 5 acidentes de trabalho ocorrem com trabalhadores terceirizados.
    A CTB juntamente com outras centrais sindicais, afirmam que, se aprovado, esse projeto, contribuirá com a precarização do trabalho de 37 milhões de trabalhadores e trabalhadoras desse país. Sustentam que os chamados “coopergatos'' (cooperativas montadas para burlar impostos) e as pessoas-empresa (os conhecidos “PJs'') irão se multiplicar e o nível de proteção do trabalhador cair. Segundo eles, setores como empresas têxteis, de comunicações e do agronegócio têm atuado pela legalização da terceirização em qualquer atividade com pesados lobbies no Congresso Nacional.
    Um parecer assinado por 19 dos 26 ministros do Tribunal Superior do Trabalho foi enviado à Câmara dos Deputados, criticando o projeto de lei e alertando para as consequências negativas de sua aprovação. Ao permitir a generalização da terceirização para toda a economia e a sociedade, certamente provocará gravíssima lesão aos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no país, com a potencialidade de provocar a migração massiva de milhões de trabalhadores hoje enquadrados como efetivos das empresas e instituições tomadoras de serviços em direção a um novo enquadramento, como trabalhadores terceirizados, deflagrando impressionante redução de valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais. 


“Trabalhadores do Brasil uni-vos”! Ou as consequências serão incalculáveis e irreversíveis.


Julio Ribeiro

23 de jun. de 2015

Redução da maioridade penal ou da impunidade?






A Solução encontrada pelo Congresso Nacional para dar alguma resposta à sociedade, diante de um cenário de satanização da política, corrupção e fraude é requentar a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a maioridade penal (PEC 171/93), como se isso por si só, fosse o mata-borrão dos males da Nação.
A meu ver, caso aprovada, o prejuízo será imenso para todos nós. Pois, o sistema penitenciário brasileiro está caótico e falido e não comporta nem mesmo a população carcerária já existente, além de serem dominados por facções criminosas que atuam dentro e fora dos grandes presídios, usados como espaço de constante aprimoramento para o crime e recrutamento compulsório de novos membros.
Nessa lógica, quanto mais jovem forem os infratores recolhidos aos grandes presídios, maior será a longevidade do criminoso. Contudo, muitos podem alegar que os bandidos usam os jovens para traficar, matar e carregar as armas. O que pode ser verdade, porém, o que impedirá o bandido aliciador de reduzir a idade também para o ingresso no crime, de 16 para 15 ou 14 anos?
Imagem Gnotícias
No âmago da questão está o clamor pelo combate a toda e qualquer impunidade, que as pessoas tenham a certeza da punibilidade, saibam que ao cometerem qualquer ato criminoso como matar, machucar, dirigir embriagado e causar acidentes, desmatar as florestas, jogar lixo em mananciais, adulterar leite, fraudar licitações, sonegar, roubar, enganar, lesar, traficar, ameaçar, maltratar crianças, idosos e até animais, seriam responsabilizados e presos.
Uma sociedade tolerante em demasia não educa seus cidadãos e não consegue estabelecer regras claras e transparentes a fim de fortalecer o aparato das instituições garantidoras da observância das normas. O que se forja nesse contexto, é o surgimento de políticos que relativizam o conceito de honestidade, além de naturalizar uma gama de relações gelatinosas pautadas pelo jeitinho e pela esperteza que permeiam todo o tecido social.

Julio Ribeiro
Professor, sociólogo e
Secretário Especial de Atendimento ao Cidadão